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AL tem primeiro paciente tratado com Polilaminina, molécula que faz a regeneração neural

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Existem descobertas científicas que chegam para colocar reticências em situações em que antes, na medicina, seriam pontos finais. É o caso da Polilaminina, molécula capaz de ajudar na regeneração neural de pacientes paraplégicos.

Foi com essa possibilidade de tentar e confiar na recém-descoberta brasileira que uma equipe de médicos realizou, no dia 31 de maio, um procedimento inédito aqui no estado: a aplicação intramedular da Polilaminina no jovem alagoano Natalício Jordan Correia Barros, de 32 anos.

Natalício Jordan foi vítima de um gravíssimo acidente de trânsito em março deste ano. O impacto causou um traumatismo devastador na sua medula, com fratura explosiva da vértebra T12 e uma secção medular completa.

O diagnóstico inicial foi avassalador: paraplegia classificada como AIS A, o que significa perda sensorial e motora total na região da cintura para baixo.

Com exclusividade a Dra. Morghana Ferreira, Natalício Jordan e a Vanessa Leodino contaram para o Alagoas Notícia Boa sobre essa história de avanço na medicina e muita fé.

Uma saga familiar contra o relógio

Diante de um cenário sem perspectivas de reversão espontânea pela medicina, foi feita uma força-tarefa movida pelo amor e pela ciência. Se engana quem pensa que a iniciativa partiu dos laboratórios ou dos grandes centros médicos. A grande faísca tem nome: Vanessa Leodino, a esposa de Natalício, que se uniu à irmã, Andressa Leodino, e à mãe, Adriana Leodino, em uma busca incansável pela liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O movimento em busca da Polilaminina não partiu de mim, nem da equipe de neurocirurgia responsável pela primeira cirurgia do Natalício; foi a Vanessa quem trouxe as primeiras indagações”, revela a médica assistente à frente do caso no estado, Dra. Morghana Ferreira. “Desde o primeiro momento em que ela soube da gravidade catastrófica da lesão medular, ela se moveu incansavelmente e foi essencial em todo o processo”, conta Morghana.

Vanessa Leodino relembra que o início de tudo foi uma verdadeira saga familiar. “Na verdade, a primeira pessoa a citar a Polilaminina, molécula criada pela Dra. Tatiana Sampaio, ainda quando estávamos recebendo a notícia do neurocirurgião, foi minha irmã Andressa Leodino. Ela correu atrás de pesquisar, saber como funcionava todo esse processo. Eu corria atrás de toda a parte burocrática, atrás de papelada, atrás até da própria Dra. Morghana. Ela me ajudou muito durante esse processo e, juntas, conseguimos fazer com que o Jordan conseguisse esse tratamento”, conta.

A eficácia da Polilaminina depende diretamente do tempo do trauma, agindo na fase aguda para ajudar na cicatrização da ferida medular e promover a neuroplasticidade. Então, a força tarefa para reunir exames de imagem, laboratoriais e relatórios médicos recentes para cumprir as exigências do protocolo de uso foram feitos em tempo recorde.

“Toda a papelada é simples e ao mesmo tempo extensa. Por um momento eu imaginei que não fosse dar tempo de tudo ocorrer dentro da janela terapêutica, mas por fim deu tudo certo”, relata Vanessa.

O alívio veio logo em seguida, com a liberação oficial da Anvisa. “Quando vi o médico e o pesquisador entrarem no quarto do hospital, eu paralisei. Ali percebi de fato que todo o esforço durante esses dois meses deu certo”, emociona-se.

“O sentimento da aprovação foi de extrema satisfação e alívio. Foi uma vitória conjunta da força de vontade dela com a nossa dedicação técnica”, pontua a Dra. Morghana Ferreira, uma das responsáveis por organizar a estrutura local para viabilizar a intervenção.

O grande dia

O ingresso de Natalício no centro cirúrgico foi marcado por uma carga emocional muito forte. “Ele estava bastante ansioso e chegou a entrar no ambiente cirúrgico chorando, refletindo a gravidade do momento e a expectativa em torno do tratamento experimental”, relembra a Dra. Morghana.

O próprio paciente recorda o turbilhão de sentimentos. “É um misto de sensações inexplicáveis. Só, tipo assim, nem eu conseguia explicar a forma que eu tava. Era um misto de ansiedade de poder ter a aplicação recebida, a esperança de voltar a andar, a felicidade, a alegria. O nome que eu uso muito é esperança. Isso ficou marcado muito em mim, sempre pensando positivo, o que é primordial”, conta Jordan.

A aplicação aconteceu em um hospital particular de Maceió e foi considerada um absoluto sucesso. Para o procedimento, foi feita uma injeção única diretamente no local da lesão medular. A intervenção contou com uma equipe de ponta, composta pelos neurocirurgiões Dr. Luiz Felipe Lobo e Dr. Olavo Borges Franco, que vieram do Rio de Janeiro trazendo todo o material técnico e a medicação.

Após o procedimento, Jordan passou bem, ficou internado para o monitoramento de possíveis efeitos colaterais e, após apresentar excelente estabilidade clínica, recebeu alta hospitalar para dar continuidade à recuperação perto da família.

Saber que as mulheres da sua vida se mobilizaram dessa forma deu a Jordan o combustível necessário para enfrentar o pós-operatório. “Com certeza muda tudo. Saber que a minha esposa, a minha cunhada Andressa e a minha sogra Adriana estiveram sempre à frente fez com que eu lutasse com mais força. Eu vi as três lutando por mim e eu não vou lutar por mim mesmo? Não tem como. Não passa nem por um fio de cabelo o pensamento de desistir. Isso faz com que me dê mais força.”

O recomeço imediato e o monitoramento

Ao contrário de cirurgias convencionais que exigem longo repouso, a reabilitação com fisioterapia começa de forma imediata. “Esse início precoce é fundamental para dar estímulos ao sistema nervoso e tentar potencializar qualquer ganho motor ou sensitivo que a medicação possa proporcionar na fase aguda”, explica a Dra. Morghana.

O próprio paciente recorda o turbilhão de sentimentos. “É um misto de sensações inexplicáveis. Só, tipo assim, nem eu conseguia explicar a forma que eu tava. Era um misto de ansiedade de poder ter a aplicação recebida, a esperança de voltar a andar, a felicidade, a alegria. O nome que eu uso muito é esperança. Isso ficou marcado muito em mim, sempre pensando positivo, o que é primordial”, conta Jordan.

A aplicação aconteceu em um hospital particular de Maceió e foi considerada um absoluto sucesso. Para o procedimento, foi feita uma injeção única diretamente no local da lesão medular. A intervenção contou com uma equipe de ponta, composta pelos neurocirurgiões Dr. Luiz Felipe Lobo e Dr. Olavo Borges Franco, que vieram do Rio de Janeiro trazendo todo o material técnico e a medicação.

Após o procedimento, Jordan passou bem, ficou internado para o monitoramento de possíveis efeitos colaterais e, após apresentar excelente estabilidade clínica, recebeu alta hospitalar para dar continuidade à recuperação perto da família.

Saber que as mulheres da sua vida se mobilizaram dessa forma deu a Jordan o combustível necessário para enfrentar o pós-operatório. “Com certeza muda tudo. Saber que a minha esposa, a minha cunhada Andressa e a minha sogra Adriana estiveram sempre à frente fez com que eu lutasse com mais força. Eu vi as três lutando por mim e eu não vou lutar por mim mesmo? Não tem como. Não passa nem por um fio de cabelo o pensamento de desistir. Isso faz com que me dê mais força.”

O recomeço imediato e o monitoramento

Ao contrário de cirurgias convencionais que exigem longo repouso, a reabilitação com fisioterapia começa de forma imediata. “Esse início precoce é fundamental para dar estímulos ao sistema nervoso e tentar potencializar qualquer ganho motor ou sensitivo que a medicação possa proporcionar na fase aguda”, explica a Dra. Morghana.

O grande objetivo inicial é buscar a recuperação do controle de movimentos voluntários, a retomada da sensibilidade ao tato e de funções viscerais essenciais, como a percepção do preenchimento da bexiga. Jordan mantém os pés no chão, mas com os olhos fixos no futuro.

“Ainda é muito cedo para ter algo mais de resultado, mas estamos na luta. Cada dia é uma nova batalha, uma nova esperança, uma nova oportunidade de fazer o melhor para mim. Saber que eu tenho uma chance de voltar a andar faz a gente se apegar a essa possibilidade, e vamos embora.”

O maior sonho de Vanessa acompanha o ritmo do marido. “Meu maior sonho é que o Jordan tenha a independência que ele gostaria de ter. Ver ele empenhado em todo esse processo de reabilitação tá sendo bem emocionante também. Cada dia que passa, ver o esforço dele para que tudo corra como nós esperamos tá sendo bem bacana.”

O monitoramento de segurança rigoroso será feito nos próximos seis meses em parceria com a farmacovigilância do laboratório Cristália, enquanto o acompanhamento médico da Dra. Morghana vai se estender por um ano, com marcos avaliativos de um, três, seis e doze meses.

“Sediar este procedimento inédito, inserido no contexto de um estudo clínico de Fase 1 aprovado pela ANVISA, abre portas fundamentais para o nosso estado. Demonstra que temos capacidade técnica e estrutural para conduzir terapias de ponta e inovação em neurociência. Isso consolida a nossa região como um polo capaz de participar de pesquisas avançadas, trazendo novas perspectivas de reabilitação para outros pacientes no futuro”, finaliza a médica Morghana.

Um pouco mais do poder da Polilaminina

A Polilaminina, desenvolvida pela equipe da Dra. Tatiana Sampaio junto ao Laboratório Cristália, funciona como uma pista tridimensional, uma espécie de “andaime”, que ajuda os neurônios a encontrarem o caminho de volta para crescerem e se reconectarem. Na prática, a molécula atua consertando os neurônios rompidos pelo trauma.

A ideia de regeneração não é nova, mas a molécula é única na forma como opera. “Antes dela, os médicos tentavam usar corticoides para diminuir a inflamação logo após o acidente, mas descobriu-se que eles não ajudavam a recuperar os movimentos. Também já se testaram outros materiais que serviam como ‘pontes’ na medula, mas eles eram apenas suportes sem vida”, explica a Dra. Morghana à equipe do Alagoas Notícia Boa.

A Polilaminina se destaca justamente porque faz tudo ao mesmo tempo. “Ela cria uma ponte física firme, dá um estímulo químico que faz os neurônios crescerem mais rápido e ainda funciona como um escudo que protege as células vizinhas. Por ser completa assim, ela se tornou uma esperança onde antes não existia nenhum tratamento eficaz”, destaca a médica.

Essa mesma esperança é o que move Jordan a deixar um recado final para quem lê a sua história e também enfrenta batalhas difíceis na vida.

“Eu digo que encare com força. Bata no peito e diga: ‘Eu vou vencer’. Nada tá perdido. Tudo é uma esperança. Eu, particularmente, tento encarar sempre com alegria, rindo, sorrindo, brincando com o próximo, extraindo um pouco de alegria até de mim mesmo. Lutando com força, juntamente com alegria, e vamos embora”.

Reportagem é de Ana Beatriz Rodrigues – ALBN

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