Uma inspeção realizada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) identificou uma série de problemas estruturais e operacionais no centro médico responsável pelo atendimento de policiais militares e seus familiares no estado.
Durante a visita, a promotoria constatou que o imóvel onde a unidade funciona atualmente apresenta condições consideradas precárias. O espaço é reduzido, há odor forte vindo das tubulações e a estrutura é considerada inadequada para a realização de atendimentos médicos.
Segundo a promotora Karla Padilha, além das falhas na estrutura física, também foi identificado um déficit significativo de profissionais de saúde, especialmente médicos e especialistas em saúde mental. Atualmente, apenas um psiquiatra atende na unidade, apesar da alta demanda por acompanhamento psicológico entre os integrantes da corporação.
O centro médico funciona hoje em um prédio alugado, que passou a abrigar os atendimentos após o fechamento do antigo hospital da Polícia Militar, localizado ao lado do Quartel do Comando-Geral. A estrutura original, inaugurada em 1933 e que contava com diversas especialidades médicas e setores hospitalares, está fechada há cerca de seis anos e não possui previsão de reforma.
De acordo com o MPAL, já foram realizados levantamentos técnicos e elaborados relatórios sobre a situação do prédio, mas o processo de reestruturação não avançou. A promotoria também aponta que existe um déficit de 51 médicos no quadro de saúde da corporação, número considerado necessário para garantir o atendimento adequado à tropa.
Outro ponto levantado durante a inspeção foi uma possível irregularidade envolvendo uma psicóloga aprovada em concurso em 2026. Segundo o Ministério Público, ela teria sido autorizada pela Procuradoria-Geral do Estado de Alagoas (PGE) a atuar como médica por possuir formação na área, situação apontada pela promotoria como possível desvio de função.
Dados citados pelo MPAL também revelam preocupação com a saúde mental dos policiais militares. Em 2020, cerca de 670 militares foram afastados por problemas de saúde em um período de seis meses. Desses casos, 305 estavam relacionados a transtornos mentais e comportamentais.
Durante a inspeção, a promotoria também identificou falhas na gestão dos prontuários médicos. Atualmente, os registros ainda são mantidos em arquivos físicos e não foram totalmente digitalizados, o que, segundo o órgão, pode comprometer a segurança e a organização das informações.
De acordo com a promotora Karla Padilha, todas as irregularidades identificadas serão reunidas em relatório e encaminhadas aos órgãos responsáveis, com a cobrança de providências para garantir melhores condições de atendimento aos policiais militares.






