O cão comunitário conhecido como Orelha, que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis (SC), tornou-se símbolo de comoção e revolta após sofrer agressões violentas no início de janeiro e morrer em consequência dos ferimentos. Orelha era cuidado pelos moradores e frequentadores da região.
Em 15 de janeiro, ao menos quatro adolescentes foram apontados como suspeitos de cometer os atos de violência. O animal foi encontrado agonizando após receber pauladas na cabeça. Orelha foi levado ao hospital veterinário e precisou passar por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.
A partir de uma denúncia, uma operação foi realizada pela Polícia Civil, na manhã dessa segunda-feira (26/1), para cumprir três mandados de busca e apreensão em endereços investigados por maus-tratos e coação no processo que apura a morte de Orelha.
“O mandado contra o adulto buscava localizar uma arma supostamente usada para ameaçar uma testemunha. No entanto, não encontramos essa arma, apenas certa quantidade de drogas. Há indícios de que quatro adolescentes tenham praticado as agressões contra o cão, e três adultos estariam envolvidos na coação durante o processo”, explica o delegado responsável pelo caso, Ulisses Guimarães.
Familiares dos adolescentes, sendo um advogado e dois empresários, após serem interrogados, foram indiciados pelo crime de coação no curso do processo.
Dois dos adolescentes apontados como suspeitos estão em viagem aos Estados Unidos. Eles serão ouvidos na semana que vem. O caso segue em investigação.
De acordo com Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as providências que estão previstas em lei incluem advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação (em casos excepcional e apenas nas hipóteses legais)”.
O MP informou que aguarda a finalização do inquérito policial para, então, definir os próximos passos.
Redes sociais
O caso gerou grande repercussão nas redes sociais e provocou comoção entre internautas. Usuários passaram a compartilhar imagens do cão e a utilizar a hashtag #JustiçaporOrelha, cobrando punição rigorosa aos responsávies pela agressão. A mobilização também reacendeu debates sobre a proteção de animais comunitários e a responsabilização em casos de maus-tratos.
Organizações e associações locais ressaltaram que Orelha fazia parte da vida do bairro há muitos anos e tinha um papel afetivo na convivência entre os moradores e visitantes.
Em vídeo publicado nessa segunda-feira (26/1), o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), afirmou que atos de violência contra animais não ficarão impunes e lamentou o caso do cão comunitário Orelha, morto após ser brutalmente agredido a pauladas, na Praia Brava, em Florianópolis.
“O caso do cão comunitário Orelha ganhou o Brasil e o mundo. E eu digo com sinceridade: ainda bem. Ainda bem que a sociedade não aceita mais a crueldade. Ainda bem que a violência contra os animais não passa mais em silêncio”, afirmou.
O governador disse que tomou conhecimento do crime e destacou que o animal era dócil e querido pela comunidade.
“Confesso que custei a acreditar. Adolescentes, jovens de famílias estruturadas, agredindo um cão por pura maldade. Um animal dócil, que não oferecia risco algum, cuidado e amado por toda a comunidade. Orelha não era apenas um cachorro, ele fazia parte daquele lugar”, diz.
Jorginho também levantou questionamentos sobre a gravidade do ato.
“Esse episódio nos obriga a refletir: um jovem de 15, 16 ou 17 anos realmente não sabe o que está fazendo? O que alguém capaz de matar um animal indefeso pode se tornar no futuro? Que tipo de sociedade estamos formando?”.
Fonte: Metrópoles






