O uso de testosterona sem indicação médica pode representar riscos importantes à saúde cardiovascular. Um grande estudo sobre o tema reforça a preocupação com o consumo indiscriminado do hormônio, cada vez mais associado, nas redes sociais, à promessa de ganho de massa muscular, melhora da performance, emagrecimento e até rejuvenescimento.
Os pesquisadores observaram maior ocorrência de eventos cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de aumento da mortalidade entre homens que utilizaram testosterona sem indicação adequada.
Segundo o médico Djairo Araújo, com atuação em Nutrologia e Medicina Esportiva, é fundamental diferenciar a reposição hormonal indicada para pacientes com deficiência comprovada do uso do hormônio por motivos estéticos ou de performance.
“Existe uma enorme diferença entre tratar um paciente com deficiência comprovada de testosterona e utilizar o hormônio apenas para melhorar estética, desempenho físico ou combater sintomas inespecíficos. São cenários completamente diferentes.”
Testosterona não é suplemento
A testosterona é um hormônio potente e não deve ser encarada como suplemento alimentar ou estratégia de prevenção do envelhecimento. A reposição pode ser indicada em casos de hipogonadismo confirmado, condição que envolve níveis inadequados do hormônio associados a sintomas clínicos.
Cansaço, redução da libido, perda de força e massa muscular, por exemplo, não significam necessariamente deficiência de testosterona e podem estar relacionados a outras condições de saúde.
“O diagnóstico não é feito apenas porque a testosterona apareceu baixa em um exame. É necessário avaliar os sintomas, confirmar os níveis hormonais quando indicado e investigar a causa da alteração antes de pensar em reposição”, explica Djairo.
O uso inadequado também pode provocar aumento da pressão arterial, alterações no colesterol, elevação do hematócrito, infertilidade, redução da produção natural de testosterona, acne, retenção de líquidos e alterações de humor.
Mesmo quando existe indicação médica, o tratamento exige acompanhamento periódico e avaliação individualizada.
Para o especialista, o principal alerta é contra a banalização do hormônio.
“A testosterona é um medicamento valioso quando utilizada na pessoa certa, pela indicação correta e com acompanhamento adequado. Não é um tratamento para qualquer homem que queira ganhar músculos, emagrecer ou se sentir mais disposto. O uso indiscriminado pode trazer consequências graves, especialmente para o coração.”






