A saúde íntima feminina ainda é cercada por tabus, o que faz com que muitas mulheres convivam em silêncio com sintomas como dor durante a relação sexual, baixa libido e dificuldades em compreender o próprio corpo. O receio de falar sobre esses temas pode atrasar o diagnóstico de doenças e comprometer a qualidade de vida.
Um levantamento realizado pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica), encomendado por Gino-Canesten®, revela esse cenário. Segundo a pesquisa, 45% das mulheres entrevistadas afirmaram sentir desconforto ao falar sobre saúde íntima, enquanto 30% disseram sentir vergonha ou constrangimento ao comprar medicamentos destinados aos cuidados íntimos. O estudo aponta que esse comportamento reflete, em parte, um histórico de invisibilidade do corpo feminino nos estudos científicos, que durante décadas tiveram como foco predominantemente a experiência masculina.
Para a ginecologista alagoana Dra. Thayse Ferro, romper esse silêncio é um passo essencial para promover saúde e bem-estar. Segundo a especialista, sintomas como dor durante a relação sexual, conhecida como dispareunia, nunca devem ser considerados normais.
“Sentir dor durante a relação sexual não faz parte de uma vida íntima saudável. Muitas mulheres acreditam que esse desconforto é algo comum ou acabam se calando por vergonha. No entanto, esse sintoma pode indicar diferentes condições que precisam ser investigadas”, explica.
De acordo com a médica, a dor pode estar relacionada a infecções ginecológicas, endometriose, alterações hormonais, ressecamento vaginal, disfunções da musculatura do assoalho pélvico e até fatores emocionais, como ansiedade, estresse e experiências traumáticas.
Outro tema frequente nos consultórios é a baixa libido. Thayse Ferro ressalta que o desejo sexual feminino é multifatorial e não depende apenas dos hormônios.
“A libido é influenciada por diversos aspectos da vida da mulher. Estresse, excesso de responsabilidades, problemas no relacionamento, alterações hormonais, alguns medicamentos, qualidade do sono e saúde mental podem interferir diretamente no desejo sexual. Por isso, o atendimento deve ser individualizado e olhar para a mulher de forma integral”, destaca.
Além da busca por atendimento especializado, a ginecologista defende que o autoconhecimento do corpo feminino seja incentivado desde cedo. Conhecer o próprio corpo permite que a mulher identifique alterações, compreenda suas respostas fisiológicas e tenha mais autonomia para conversar sobre sua saúde durante as consultas.
“O autoconhecimento não está relacionado apenas à sexualidade. Ele é uma ferramenta de prevenção. Quando a mulher conhece seu corpo, ela percebe com mais facilidade quando algo muda e procura ajuda precocemente. Isso favorece diagnósticos mais rápidos e melhora a qualidade de vida”, afirma.
A especialista reforça que o acompanhamento ginecológico regular continua sendo a melhor forma de prevenir doenças e esclarecer dúvidas sobre a saúde íntima.
“Precisamos normalizar essas conversas. Dor, baixa libido, desconforto ou qualquer alteração na saúde íntima não devem ser tratados como tabu. Informação de qualidade, acolhimento e acompanhamento médico são fundamentais para que a mulher viva todas as fases da vida com mais saúde, autoestima e bem-estar”, conclui a Dra. Thayse Ferro.






