A Defesa Civil Estadual reuniu, nesta quinta-feira (9), agentes municipais, autoridades de segurança e a imprensa para detalhar o Plano de Acionamento Interinstitucional e o Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Alagoas para a quadra chuvosa 2026, que tem início agora em abril e se estende até agosto. O evento ocorreu no auditório da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA).
Durante o encontro, o coordenador-geral da Defesa Civil, coronel Moisés Melo, destacou que Alagoas vem respondendo com agilidade e evitando tragédias em períodos chuvosos.
“Alagoas tem se destacado pela redução de ocorrências drásticas, como as mortes em decorrência das inundações e soterramentos, justamente por causa dos investimentos do Governo em prevenção. Parte disso é fruto da integração e da organização do Estado. Passamos o ano inteiro nos preparando para este momento. As chuvas acontecem; o que vai transformar a água num grande desastre é o que fazemos antes e durante a ocorrência. Quando a integração funciona, o desastre perde força antes de acontecer”, frisa o coordenador da defesa civil.
O trabalho intersetorial é feito em conjunto com diversas pastas. A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) realiza a leitura técnica da previsão de chuvas; a Defesa Civil informa com antecedência aos coordenadores municipais sobre os riscos; e pastas como as secretarias de Assistência Social e Planejamento ficam com o suporte às vítimas.
Defesa Civil Alerta
Em 2026, a quadra chuvosa alagoana contará com a tecnologia do Defesa Civil Alerta (DCA). Lançado em junho do ano passado, o sistema emite avisos sonoros e mensagens diretamente nos celulares de quem está em áreas de risco.
“Além de todo o monitoramento que realizamos em nossos rios, temos a capacidade de, na iminência de um evento extremo ou grande desastre, enviar um alerta diretamente para o celular das pessoas. Esse aviso informa se você está em uma área de risco e indica o tempo necessário para procurar um local seguro, já predeterminado pela Defesa Civil. É imprescindível utilizar tecnologias como essa, que já aplicamos em Alagoas, para salvar vidas”, acrescentou o coronel Moisés.
Atuação de drones
Outra novidade da Defesa Civil para evitar desastres e enfrentar crises é a presença de drones para mapear e dar informações precisas com baixo custo. A Defesa Civil segue capacitando os agentes municipais para que eles possam identificar áreas de risco e realizar avaliações técnicas através do equipamento.
O Estado já realiza esse monitoramento com três drones próprios, mas agora os municípios poderão adquirir seus próprios equipamentos e contar com pessoal habilitado para fazer essa leitura local.
“Isso permitirá identificar problemas de forma imediata. Como exemplo, temos a situação atual na Lagoa do Jequiá, em Jequiá da Praia, onde o drone pode ser usado para monitorar processos erosivos e voçorocas que avançam sobre o terreno. Com essa tecnologia, poderemos tomar providências urgentes por meio da parceria entre os governos municipal, estadual e federal”, explica o coronel Moisés.
Quadra chuvosa 2026
A previsão é que a quadra chuvosa de 2026 se inicie a partir do dia 15 de abril. Para sua elaboração, participam todos os centros de meteorologia do Nordeste, apontando um indicativo do volume esperado para o período chuvoso.
“Os resultados observados indicam que teremos chuvas mais volumosas na primeira metade do período úmido. Já para o final do quadrimestre, com a entrada de outro fenômeno, há uma tendência de redução das precipitações. Portanto, podemos dividir o período úmido em dois cenários distintos: o primeiro, mais preocupante em relação a eventos extremos de chuva; e o segundo, também preocupante, pois o volume acumulado pode não ser suficiente para o pós-período úmido”, pontua o superintendente de Prevenção em Desastres Naturais da Semarh, Vinicius Pinho.
Ainda de acordo com Vinicius, isso indica que a quadra chuvosa de 2026 será composta de um cenário de cheias até a metade do ano e um de estiagem ao final dele, o que exige preparação para ambas as situações.
As áreas mais vulneráveis a eventos extremos de precipitação são as já conhecidas: Zona da Mata, faixa litorânea, Baixo São Francisco e Agreste. Destaca-se a Zona da Mata, onde estão os rios com histórico de inundação, como Mundaú, Paraíba, Jacuípe e São Miguel. Além dessas, a Região Metropolitana também é vulnerável, devido às áreas de grotas e encostas com alto risco de deslizamento de terra.
“Normalmente, a quadra chuvosa se inicia na segunda quinzena de abril e se estende até meados de agosto. No entanto, temos observado que o período de chuvas se antecipou, com eventos característicos ocorrendo antes do esperado. Isso reforça a previsão de que as chuvas serão mais intensas nesta primeira metade e perderão força na segunda”, finalizou Vinicius.
Principais rios serão monitorados em tempo real
Hoje, Alagoas conta com 29 estações de monitoramento que cobrem todos os principais rios do estado com histórico de inundação. Graças ao dispositivo, é possível saber em tempo real o nível de determinado rio. Com base em levantamentos anteriores, é possível saber com exatidão quantos centímetros ele transborda até atingir a primeira residência.
“Temos praticamente 100% de cobertura nos municípios com informações em tempo real. Instalamos pluviômetros automáticos e estações meteorológicas completas em quase todas as cidades do estado, garantindo um monitoramento integral. Para um sistema de alerta, essa estrutura é fundamental. Além das estações meteorológicas e hidrológicas, mantemos uma parceria com o radar meteorológico da UFAL”, explicou Vinicius Pinho.
Atuação dos Bombeiros
O Corpo de Bombeiros já finalizou o plano de atuação durante a quadra chuvosa 2026 e lembrou que o trabalho deve ser feito em parceria com a Defesa Civil municipal e as unidades dos bombeiros em cidades que tenham quartel ou adjacências. Além do suporte logístico, o CBMAL ampliou equipamentos e forças humanas para atuar em casos de desastres.
“Conseguimos ampliar a nossa frota de embarcações. Temos dado esse suporte à nossa tropa para que, em casos de enxurradas ou inundações, possamos atuar com barcos e também com motos aquáticas. Além disso, já temos um ponto consolidado: o uso das aeronaves do grupamento aéreo, que servem de apoio fundamental para qualquer tipo de socorro à população”, destaca o comandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, Cel. BM Verçosa.
“A distribuição geográfica das unidades dos Bombeiros no estado foi definida estrategicamente para isso. Temos instalado unidades em áreas historicamente mais suscetíveis e críticas, aproximando nossos instrumentos de prevenção e resposta da população”, informa.
Os investimentos diretos em novas aquisições fazem parte do pacote de investimentos do Governo de Alagoas e também do pagamento da Taxa de Bombeiros, que anteriormente era voltada exclusivamente a ações de combate a incêndios e agora também financia ações essenciais de prevenção, resgates, buscas e salvamentos, sendo um investimento fundamental para a segurança pública.
“São investimentos que salvam vidas e que só nos damos conta quando precisamos. Por isso é preciso investir em tecnologia, em equipamentos, em cursos, em pessoal”, finaliza o coronel Verçosa.







