O governo dos Estados Unidos considera classificar as duas maiores facções criminosas do Brasil, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas após pressões da família Bolsonaro. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (27/3) pelo jornal The New York Times.
A possibilidade de incluir o PCC e CV no rol de organizações terroristas vem sendo debatida pelo Departamento de Estado dos EUA, informaram fontes ligadas a administração Trump para o NYT. As discussões ocorrem após contatos dos filhos de Jair Bolsonaro com a diplomacia norte-americana.
Na quinta-feira (26/3), o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) embarcou para os EUA. Lá, o filho de Jair Bolsonaro deve participar da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) em Dallas.
Até o momento, o governo dos EUA ainda não fez declarações públicas sobre o assunto. No início do mês, contudo, a chancelaria norte-americana comunicou ao Itamaraty que poderia incluir as duas facções na lista de grupos terroristas.
O governo brasileiro já se mostrou contra a possibilidade, e argumenta que classificar o PCC e CV fere a legislação do país. Além disso, o Brasil teme que a mudança possa ameaçar a soberania nacional, já que isso possibilitaria uma intervenção militar dos EUA sob a justificativa de combater o terrorismo.
Nesta sexta-feira (27/3), o assunto foi discutido pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Os dois se reuniram na França, às margens da Cúpula de Chanceleres do G7.
Diante da pressão norte-americana, a administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm se mostrado aberto a cooperar no combate a tais grupos à nível transnacional — mas sem dar sinal verde para a possível classificação do PCC e CV como grupos terroristas.
A possível inclusão das facções brasileiras na lista faz parte de uma ampla campanha de Trump contra o tráfico internacional na América Latina.
Medida semelhante foi adotada contra cartéis venezuelanos no início do ano. A mudança justificou uma operação dos EUA, cujo resultado foi a captura do ex-presidente Nicolás Maduro.
Fonte: Metrópoles






