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Cuidados com a pele são essenciais na rotina dos pescadores de sururu em Maceió

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Ainda de madrugada, por volta das 3h ou 4h, pescadores de sururu saem de barco pelas lagoas de Maceió para garantir o sustento de suas famílias. A atividade, tradicional e essencial para a economia local, exige esforço físico intenso e expõe esses trabalhadores a condições que vão além do desgaste corporal. O contato direto e prolongado com o sol reforça a importância dos cuidados com a saúde da pele.


Na rotina diária, os chamados “tiradores de sururu” passam horas com parte do corpo submersa, mergulhando repetidamente para retirar o marisco. O pescador Luiz Fernando, que atua na região do Vergel do Lago, descreve o trabalho como essencialmente braçal. Segundo ele, metade da canoa fica dentro da água e a outra parte para fora, exigindo mergulhos constantes. Após a retirada do sururu, ainda é preciso realizar o processo conhecido como “pedalada”, que consiste em retirar a lama para deixar o produto pronto para as mulheres que fazem o despinique, que é a limpeza e separação da casca do sururu, e a comercialização.


Apesar da existência de equipamentos que ajudam na proteção, como camisas com proteção UV, óculos de mergulho, luvas, botas e roupas adequadas, nem todos os trabalhadores utilizam esses itens de forma contínua durante a atividade, assim como o uso correto do protetor solar.


Do ponto de vista dermatológico, essa combinação de fatores representa um risco significativo. A médica dermatologista e professora da Afya Maceió, Mariane Moura Rezende, explica que esses trabalhadores estão mais expostos a agentes físicos, biológicos e químicos. Segundo ela, há maior predisposição a infecções fúngicas, como micoses na pele e nas unhas, infecções parasitárias, como a larva migrans, além de infecções bacterianas, como impetigo, celulites e erisipela, que geralmente surgem a partir de pequenos cortes provocados pelas conchas.


A especialista destaca ainda que o contato prolongado com a água e a lama compromete a proteção natural da pele. “A pele, como fica muito tempo em contato com a água, fica macerada, ou seja, perde um pouco da sua função de barreira de proteção. Isso facilita a penetração de micro-organismos, causando infecções e maior agressão por substâncias irritativas, levando a diversos tipos de dermatites”, explica.


A exposição ao sol também é um fator de risco importante na rotina dos pescadores. Em regiões como Maceió, onde a radiação solar é intensa durante boa parte do ano, os danos podem ser imediatos e cumulativos. “O sol traz danos à pele tanto a curto prazo, promovendo queimaduras, quanto a longo prazo, podendo causar câncer de pele em pessoas predispostas, além de envelhecimento cutâneo e manchas”, alerta a dermatologista.


Outro ponto crítico é o uso inadequado do protetor solar. Para garantir proteção eficaz, o produto deve ser reaplicado ao longo do dia, especialmente em atividades com exposição contínua ao sol e contato com água. Na prática, essa reaplicação muitas vezes não acontece, principalmente devido à dinâmica intensa do trabalho nas lagoas.


Além disso, os pescadores estão constantemente sujeitos a ferimentos. Cortes causados por peixes, cascas de ostras e até pelas próprias conchas do sururu são comuns no dia a dia. Sem os cuidados adequados, essas lesões podem favorecer o surgimento de infecções cutâneas.


Segundo a especialista, alguns sinais devem servir de alerta e indicam a necessidade de procurar atendimento médico. “Feridas que não cicatrizam e sangram com facilidade, vermelhidão ou inchaço acompanhados ou não de febre, coceiras persistentes, descamações, alterações nas unhas e pintas que crescem, mudam de cor ou sangram são sinais importantes”, orienta.


Mesmo diante das limitações da rotina, é possível adotar medidas preventivas. O uso de botas e luvas apropriadas, roupas com proteção UV, chapéus ou bonés e protetor solar com fator igual ou superior a 30, reaplicado a cada três horas, são cuidados essenciais. A hidratação da pele também é importante para ajudar na recuperação da barreira cutânea.


No Vergel do Lago, também conhecido como Dique Estrada, o sururu é comercializado atualmente por cerca de 30 reais o quilo. Um valor que sustenta famílias inteiras e reforça a importância da atividade para a cultura e a economia local. Entre a rotina intensa de trabalho e a exposição diária ao sol, à água e à lama, especialistas reforçam a importância dos cuidados preventivos para preservar a saúde da pele desses trabalhadores.

Sobre a Afya

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, sendo 32 com cursos de Medicina, além de 25 unidades voltadas à pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e da saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas em operação, com mais de 24 mil alunos formados ao longo de 25 anos.

Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no Brasil utiliza ao menos uma solução digital do portfólio Afya, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.

Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq, em 2019, a Afya já recebeu prêmios do Valor Econômico, incluindo o “Valor Inovação” (2023) como a empresa mais inovadora do Brasil e o “Valor 1000” como a melhor empresa de educação nos anos de 2021, 2023, 2024 e 2025. O CEO da companhia, Virgílio Gibbon, foi reconhecido como o melhor executivo da área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz do ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações: www.afya.com.br | ir.afya.com.br

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