O advogado Alberto Jorge confirmou que, após a divulgação do caso envolvendo ex-soldados do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (59º BIMtz), que relatam ter sofrido atos de violência e constrangimento durante o período de serviço militar na capital alagoana, foi procurado por outros homens que também afirmam ter passado por situações semelhantes enquanto cumpriam o serviço no Exército.
“Motivado pelos resultados das sindicâncias das vítimas e de seus afastamentos definitivos da corporação, resolvemos apresentar uma representação criminal ao MPF, haja vista que existem crimes a serem avaliados e denunciados de forma diferente do que ocorreu na sindicância. Além disso, fui procurado por outros jovens que relatam diversas situações. Agora, vou me reunir com essas possíveis novas vítimas para entender de que forma podemos lutar e defender esses casos de abuso, agressão e total falta de respeito com quem escolhe seguir carreira no Exército Brasileiro. Na denúncia feita à Justiça Federal, estão citados cinco membros do 59º BIMtz (um sargento, três cabos e um soldado)”, afirmou o advogado.
Diante da situação, Alberto Jorge protocolou uma representação criminal no Ministério Público Federal (MPF), solicitando a imediata instauração de Inquérito Policial Militar (IPM) para a completa apuração dos fatos narrados, além da oitiva do representante e das testemunhas que serão arroladas no caso. Ao final do inquérito, a defesa pede o indiciamento dos envolvidos pelos crimes que forem comprovados.
“É preciso entender que ser aceito no Exército do Brasil, para muitos jovens, não é apenas cumprir o serviço militar. É o sonho de uma vida melhor para si e para suas famílias. Casos como os relatados, pelos quais estou em busca de justiça, destroem vidas. É preciso apurar, identificar os envolvidos e fazer justiça diante de tantos absurdos”, finalizou o advogado.
Caso
Na última semana, o ex-soldado Pablo Vince relatou que sua experiência no quartel se transformou em um cenário de abusos e humilhações.
“Passei por situações de constrangimento durante a formação e também dentro da unidade. Fui vítima de abuso sexual por colegas de farda, dentro da companhia. Chegaram a passar o pênis no meu rosto enquanto eu dormia, e só tive conhecimento dias depois”, afirmou.
Outro caso envolve um segundo ex-soldado, que teria sido submetido a agressões dentro de uma câmara fria da unidade.
“Ele foi chamado por um sargento e, ao chegar ao local, foi despido, imobilizado e colocado de cabeça para baixo. Em seguida, sofreu agressões físicas enquanto os outros riam, tratando a situação como se fosse uma brincadeira. Isso, para nós, configura tortura”, explicou o advogado.
A defesa também informou que Pablo Vince foi afastado definitivamente do Exército, mesmo após laudos indicarem a necessidade de acompanhamento psicológico.
“Estou em tratamento psicológico e psiquiátrico, fazendo uso de medicação e sessões terapêuticas, tudo devidamente registrado”, disse o ex-militar.
Posicionamento do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado
Em nota, o Exército informou que instaurou procedimento administrativo em julho do ano passado para apurar os fatos. Após a conclusão, cinco militares foram presos e desligados do serviço ativo. A instituição também declarou que, em outro caso, dois militares foram excluídos das fileiras, com respeito ao contraditório e à ampla defesa. O Exército reforçou ainda que não admite condutas que violem seus princípios e valores. O Exército reforçou ainda que não admite condutas que violem seus princípios e valores.
O espaço na Multiplataforma ACTA de jornalismo segue aberto para novos posicionamentos do Exército








