Após mais de uma década, acontece no próximo dia 13, no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes, em Maceió, o julgamento do Caso Davi, adolescente que desapareceu em 2014, no bairro Benedito Bentes, logo depois de ser abordado por uma guarnição da Polícia Militar. Desde então, Davi nunca mais foi localizado.
O Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Zumbi dos Palmares (CEDECA/AL) convocou por meio de suas redes sociais toda a sociedade alagoana, movimentos sociais, organizações de direitos humanos e a imprensa para acompanhar o julgamento.
“O julgamento representa um marco histórico na luta por justiça, memória e responsabilização em um dos casos mais emblemáticos de violação de direitos humanos envolvendo adolescentes em Alagoas” – diz a nota.
Histórico do caso
Davi da Silva, adolescente, desapareceu em 25 de agosto de 2014, no bairro Benedito Bentes, em Maceió, após ser abordado por uma guarnição da Polícia Militar. Testemunhas relataram que o jovem foi colocado dentro de uma viatura policial, sendo essa a última vez em que foi visto.
Desde então, Davi nunca mais foi localizado.
As investigações apontam indícios de envolvimento de agentes do Estado no desaparecimento do adolescente, com acusações que incluem tortura, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
O caso é marcado por uma longa trajetória de entraves judiciais, recursos e sucessivos adiamentos. Embora a Justiça tenha decidido pelo envio dos acusados a júri popular anos atrás, o processo foi constantemente postergado, prolongando a dor da família e a espera por respostas.
Outro elemento trágico dessa história é que a mãe de Davi faleceu após mais de uma década aguardando justiça, sem ver a responsabilização dos acusados, evidenciando o impacto profundo e contínuo da violência institucional sobre as famílias.
O caso também envolve a morte de uma testemunha-chave meses após o desaparecimento do adolescente, o que reforça a gravidade e complexidade dos fatos investigados.






