A suposta negligência no fornecimento de ração animal teria provocado a morte de 80 equinos da raça Mangalarga Marchador e causado um prejuízo superior a R$ 82,57 milhões ao Haras Nova Alcatéia, localizado no município de Atalaia, em Alagoas.
O caso é alvo de ação do Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Atalaia. Foram denunciados a empresa Nutratta Nutrição Animal Limitada S.A., seu sócio majoritário e o administrador operacional/financeiro. Segundo o Ministério Público, os animais foram intoxicados após o consumo das rações NutriMax e Forragem Horse, fornecidas pela empresa.
Diante dos danos apontados na investigação, o promotor de Justiça Ary Lages Filho requereu o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da empresa e dos denunciados, como forma de garantir a reparação dos prejuízos.
Imagens mostram sofrimento dos animais
O promotor afirma ter tido acesso a vídeos registrados após a intoxicação dos animais e classificou as imagens como estarrecedoras.
De acordo com ele, os registros mostram os cavalos em intenso sofrimento, apresentando comportamento agitado e sinais compatíveis com fortes dores.
“As imagens provocam compadecimento, os cavalos agitados sentindo dores, metendo a cabeça na parede, cegos, muito sangue no local”, relatou Ary Lages Filho.
Ainda segundo o representante do MPAL, laudos periciais apontam contaminação relacionada à ração fornecida aos animais e indicam falência orgânica compatível com intoxicação alimentar.
O Haras Nova Alcatéia possui mais de cinco décadas de atuação na criação genética de cavalos da raça Mangalarga Marchador. Para o promotor, a confiança depositada na empresa fornecedora resultou em perdas financeiras expressivas e também em forte impacto emocional para os proprietários.
“O Haras se dedica à criação genética de equinos dessa raça há mais de 50 anos, confiou na empresa e teve esse tremendo prejuízo. Os donos sofreram um tremendo baque financeiro, mas há também o emocional presenciando o sofrimento dos bichos e é preciso que os envolvidos nesse crime sejam responsabilizados”, destacou.
O caso segue na Justiça e as medidas solicitadas pelo Ministério Público buscam assegurar recursos para eventual reparação dos danos apontados no processo.






