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Vídeo: Rico Melquiades critica campanha apoiada por Djavan e diz que artistas deveriam pedir fim da Lei Rouanet

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O influenciador Rico Melquiades usou suas redes sociais para criticar a campanha ‘Block no Tigrinho’, lançada oficialmente no último dia 02, no ambiente digital, e que já conta com a adesão de diversas personalidades da música, televisão, cinema, artes, entre elas o cantor e compositor alagoano Djavan.

A campanha busca fazer um alerta geral ao que considera como “epidemia” de bets e plataformas de apostas no Brasil, algo que, nas palavras do movimento, estão “criando vício, sofrimento e dívidas”.

“Eu queria que esses atores e atrizes levantassem um grande vídeo pedindo o fim da Lei Rouanet”, afirmou Rico ao comentar a campanha. A declaração rapidamente repercutiu nas redes sociais e gerou debates sobre apostas online, publicidade de bets, incentivos à cultura e o posicionamento de artistas em temas políticos e econômicos.

A atriz Maria Eduarda de Carvalho publicou um vídeo explicando por que considera a comparação equivocada.

A artista explicou que a Lei Rouanet é um mecanismo de incentivo à cultura baseado em renúncia fiscal, não um repasse direto de dinheiro para artistas, e argumentou que colocar cultura e jogos de azar no mesmo patamar “é como comparar um hospital e um cassino apenas porque ambos movimentam dinheiro”.

Ela também questionou o desvio do debate sobre os impactos das plataformas de apostas na vida dos seguidores.

>> Block no Tigrinho

De que lado da influência você está? Essa é a pergunta que encabeça o texto de apresentação do site da campanha Block no Tigrinho e que já conta com mais de centenas de apoiadores.

Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Marieta Severo, Paulinho da Viola, Luisa Arraes, Claudia Abreu, Letícia Sabatella e Camila Pitanga estão entre as personalidades que, ao longo do vídeo, citam dados que pontuam como o vício nas plataformas de apostas teria aumentado e como os jogos online estariam colaborando para o endividamento das famílias.

O site da campanha (https://blocknotigrinho.com.br/) convida o público a participar por meio de um abaixo assinado, de um movimento que pede que influenciadores, personalidades e também anônimo usem suas redes sociais para alertar sobre os riscos decorrentes da utilização das plataformas de apostas. A página do Block do Tigrinho no Instagram já ultrapassou mais de 80 mil seguidores em apenas 8 dias.

A questão das bets

O questionamento a respeito das possíveis consequências das plataformas de apostas tanto para o cenário econômico do País como no dia a dia das pessoas já vem sendo debatida pela Câmara e Senado há algum tempo.

Em fevereiro deste ano, o Senado chegou a aprovar, por meio da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), o Projeto de Lei 3.563/2024, que tinha intenção de proibir todas as modalidades de publicidade, patrocínios ou promoção de apostas esportivas e jogos de azar online.

O PL, contudo, ainda precisa passar pela análise e debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, caso siga adiante, pela votação no Plenário do Senado e, posteriormente, na Câmara dos Deputados. Caso o texto seja aprovado nessas etapas, ainda precisará da sanção presidencial para se tornar Lei.

O projeto é de autoria do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) e foi apresentado pela relatora, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). De acordo com o texto, o objetivo principal da lei é eliminar a visibilidade das bets no cotidiano das pessoas, ajudando a frear, de alguma maneira, os impactos nas finanças e na saúde mental dos brasileiros.

Impactos do patrocínio das bets

A aprovação da PL causaria impactos importantes na seara do marketing esportivo, sobretudo no futebol, já que os clubes, federações e estádios não poderiam mais exibir marcas de bets em uniformes ou nas placas de publicidade.

Seria também proibido o patrocínio a eventos culturais e cívicos, bem como a promoção de empresas de apostas por parte por parte de celebridades, influenciadores e produtores de conteúdo nas redes sociais.

Desde quando o setor passou a ser regulamentado no Brasil, no início de 2024, as empresas de apostas esportivas passaram a ter de seguir algumas determinações para a comunicação e oferta de seus serviços.

Por determinação do Senado Federal e também da Câmara dos Deputados, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) foi colocado como responsável por elaborar um conjunto de princípios éticos para que as empresas do segmento seguissem.

Dessa forma, surgiu o Anexo X, conjunto de regras estabelecidas pelo Conar para evitar publicidade abusiva por parte das bets. Entre as principais regras estava a de que as empresas não poderiam, em anúncios publicitários ou qualquer outra peça de comunicação, sugerir a ideia do ganho de dinheiro “fácil” a partir das apostas esportivas.

Também ficou vetado o direcionamento de publicidade de apostas para crianças e adolescentes. As empresas ainda tinham de se comprometer em adotar práticas para combater a ludopatia (vício em jogo).

O assunto, porém, seguiu gerando debates a medida em que a presença das empresas de apostas esportivas crescesse na mídia e no ambiente do futebol brasileiro.

No ano passado, os 20 clubes que competiram na série A do Campeonato Brasileiro tinham, no mínimo, uma empresa de apostas esportivas em seus uniformes.

Apenas em 2025, as empresas do segmento aplicaram R$ 1,4 bilhão em TV aberta, TV paga, rádio e streaming. Os dados são do relatório “Investimentos Bets 2025 – Análise Estratégica do Setor de Apostas Esportivas”, elaborado pela Tunad.

“Dê block no tigrinho”: campanha contra plataformas de aposta online é abraçada por famosos, como Marieta Severo, Camila Pitanga, Caetano Veloso, Chico Buarque e Djavan. (Fernando Young; André Nicolau

Rico Melquíades

O influenciador digital Melquiades foi um dos convocados em 2025 para depor na CPI das Bets e no dia admitiu que assinou um acordo com o Ministério Público de Alagoas para evitar um processo penal relativo a investigações sobre divulgação irregular de jogos de apostas on-line (acordo de não persecução penal). Convocado como testemunha, Rico manteve silêncio sobre o conteúdo do acordo por ser sigiloso e afirmou que houve vazamento. Ele afirmou que não fez nada ilegal e que desconhecia supostas atividades investigadas de lavagem de dinheiro relacionadas a organizações criminosas.

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