Djavan parece ter escolhido a dedo a cidade de São Paulo para abrir a sequência de shows comemorativos pelos 50 anos de carreira. A abertura da turnê, nesta sexta-feira (8), no Allianz Parque, na capital paulista, reuniu um grande público, que ajudou o veterano a transformar o espetáculo.
Com cenografia intimista, que até lembrava os acústicos da antiga MTV, o alagoano se destacava em um palco forrado de telões de alta definição e uma banda afinada para relembrar uma carreira composta por letras reconhecidas em todo o país.
O público variava entre diferentes gerações, desde jovens casais apaixonados, e grupos de amigos também mais novos que média, até duplas mais maduras que embalaram os próprios romances com letras e melodias do ainda jovem Djavan. O vigor e a vitalidade do homenageado pela turnê impressionam.
Com a voz firme, mas carecendo de uma estrutura de som mais afiada, Djavan entrega uma sequência de sucessos em um show de duas horas e que preza pelas músicas inteiras. Não espere medleys ou mashups tão comuns nas turnês comemorativas que esperam apresentar tudo condensando e em poucas horas. O anfitrião aqui se permite repetir os versos e deixar o público cantar.
Público que responde na medida, completa o veterano na voz, e recebe o afago do artista: “Obrigado por me ajudarem, São Paulo”.
A história com a capital paulista também se faz presente, o cantor relembra passagem da carteira e destaca a importância do festival que participou, ainda nos anos 1970, em pleno Theatro Municipal.
Djavan não faz feio, perpassa uma carreira sólida, dá voz a uma figura simpática e que parece disposta a retribuir ao canto da plateia que reage já nos primeiros acordes do cantor.
No momento mais emocionante do show, o cantor faz uma homenagem a Gal Costa, que morreu em novembro de 2022. Ele entoa então “O Vento”, composição originalmente cantada pela “garota da voz de veludo” ou uma irmã para Djavan. Faz assim mais uma referência a baiana que parece ter partido cedo demais.
Caetano e Bethânia, quando se apresentaram junto, também dedicaram canções para Gal, assim como Gilberto Gil, na recente “Tempo Rei”.
Diferente dos amigos, Djavan parece não querer se despedir dos palcos, transforma a atmosfera final do show em uma balada dançante com “Sina”, a música do bis que também abrir a apresentação.
Djavanear – 50 anos Só Sucessos tem nova data em São Paulo neste sábado (9). O músico ainda vai percorrer o Brasil, em 11 capitais até o fim do ano e 14 datas já anunciadas. Destaque para os shows no Rio – com três datas – e em Maceió, cidade ainda fora do circuito das grandes turnês, mas, neste caso, responsável maior pelo homenageado adorado mesmo fora do território das Alagoas.
POR EDUARDO FRUMENTO







