O réu Albino dos Santos Lima, conhecido nacionalmente como o “serial killer de Alagoas”, voltou a ser julgado nesta quinta-feira (13) pelo crime de feminicídio contra Beatriz Henrique da Silva. O julgamento acontece no Fórum de Maceió, a pedido do Ministério Público de Alagoas (MPAL), e é conduzido pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas. Durante o crime, cometido em 2021 no bairro da Ponta Grossa, a vítima dormia com o filho de quatro anos, que também foi atingido pelos disparos.
Durante o interrogatório, Albino confessou ter atirado contra as vítimas. Ele afirmou ao juiz que estava “dormindo em casa” quando teria sido acordado “pelo Arcanjo Miguel”, que o teria instruído a “ceifar o joio”, em referência à mulher que ele descreveu como “um câncer maligno”. Segundo o réu, a ação teria ocorrido em um surto de “anomalia mental”. Apesar da confissão, ele negou plena consciência dos atos e disse que não responderia às perguntas do promotor.
“Essa mulher era traficante de drogas, todos sabem disso. […] Eu não estava normal. O Arcanjo Miguel me acordou e disse que essa ‘câncer maligno’ usou o próprio filho como escudo humano”, afirmou o réu em plenário.
O promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, que atua em todos os julgamentos de Albino, rebateu o argumento de insanidade, afirmando que os laudos psiquiátricos comprovam a plena capacidade mental do acusado. “Psicopata não tem cura. Ele exerce poder de liderança, contamina os demais. O laudo conclui que ele é imputável, ou seja, sabia exatamente o que estava fazendo”, destacou.
Durante a apresentação aos jurados, o promotor exibiu imagens de câmeras de vigilância que mostram Albino em deslocamento para o local do crime, além de fotografias encontradas no celular do réu, que incluíam registros dos túmulos das vítimas e calendários com as datas dos assassinatos.
“Temos aqui um réu confesso. Ele escolhia as vítimas, seguia os hábitos delas pelas redes sociais e só atirava na cabeça. É um filme de terror que parece não ter fim”, afirmou Vilas Boas.
De acordo com o Ministério Público, Albino costumava justificar os assassinatos alegando que as vítimas seriam envolvidas com o tráfico de drogas, versões sempre refutadas nas investigações. O promotor também lembrou que o réu chegou a usar a arma do próprio pai em parte dos crimes, mas que a participação dele foi descartada pela Polícia Civil.
Albino dos Santos Lima já acumula mais de 140 anos de prisão em condenações anteriores por assassinatos com o mesmo modus operandi. No último julgamento, realizado em outubro, ele foi sentenciado a 27 anos de prisão pelo feminicídio de Tâmara Vanessa dos Santos e por tentar matar outras duas pessoas. O atual júri é o sexto processo a que ele responde na Justiça alagoana.






